domingo, 4 de dezembro de 2022

No céu tem pão?

 Hoje, por meio de um áudio de WhatsApp que minha irmã enviou ao grupo da família, fico sabendo que a Congregação Cristã no Brasil oferece café da manhã na Reunião de Jovens e Menores.

Como se minha opinião sobre o assunto importasse a mim mesmo começo a pensar sobre o assunto enquanto dou algumas voltas na trilha do sítio. O assunto é pegajoso porque se eu penso que a reunião atrai apenas famintos, mas não os ajuda a louvar a Deus eu sou uma pessoa cruel, e se eu digo que a igreja deve fazer isso sempre, sistematicamente e em todos os cultos, eu posso materializar a fé de algumas pessoas, ou a minha pelo menos.

Acho que o que deve atrair as pessoas é a fé, é a adoração, mas louvo quem oferece caridade aos meninos que frequentam o culto de jovens só para comer. Contudo, acho que Romanos 14:17 nos diz algo sobre a importância da noção do Reino dos Céus como não sendo comida ou bebida.

Sempre achei bonito quando o ancião da CCB de Araripina, João de Deus, dizia que o que trouxe as pessoas para a igreja não foi nada material, mas espiritual, o chamado de Deus.

Talvez eu esteja sendo inconveniente ao escrever sobre isso. Faz tempo que ajudei alguém com comida e estou a questionar quem está ajudando. Vou seguir o dia vivendo com minhas canetas e papéis, escrevendo sobre algo mais urgente ou não. Ah, como eu queria o humor de um Carlos Heitor Cony ou de um Gilbert Keith Chesterton. Eu escreveria sobre pão e queijo; escreveria sobre meninos e bananeiras.

Olavo e os milicos

Olavo de Carvalho nunca idealizou grandiosas ações vindo das nossas Forças Armadas.  Principalmente porque, por algum tempo, ele as frequentou dando palestras, conselhos, tentando abrir os olhos dos militares para as ameaças que o Foro de São Paulo e o globalismo fizeram ao Brasil. Aqui vão alguns artigos em que o professor Olavo deu alguma informação interessante sobre este tema. Espero que isto possa ajudar quem, como eu, está tentando entender alguma coisa sobre a atual conjuntura da política brasileira.

Primeiro eu quero citar os artigos que achei interessantes, dar a localização deles nos livros do professor Olavo, começando pelas Cartas de Um Terráqueo ao Planeta Brasil, e também os links correspondentes no site do professor, para facilitar a consulta. Baseei a escolha dos artigos na possibilidade de esses artigos possuírem ao menos uma informação crucial para a compreensão da gravidade dos problemas que envolvem os temas supracitados. Esta lista poderá sofrer adaptações.

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Cartas de Um Terráqueo ao Planeta Brasil:



Vol. I - Apoteose da vigarice


-- Obviedades temíveis (p. 65)

https://olavodecarvalho.org/obviedades-temiveis/


-- Aids, Brasil e Uganda (p. 155)

https://olavodecarvalho.org/aids-brasil-e-uganda/



Vol. II - O mundo como jamais funcionou


-- O avesso do avesso (p. 101)

https://olavodecarvalho.org/o-avesso-do-avesso/


-- O estupro das soberanias nacionais (p. 115)

https://olavodecarvalho.org/o-estupro-das-soberanias-nacionais/


-- O parteiro do mal (p. 209)

https://olavodecarvalho.org/o-parteiro-do-mal/


-- Por trás da subversão (p. 221)

https://olavodecarvalho.org/por-tras-da-subversao/


-- Banditismo e revolução (p. 279)

https://olavodecarvalho.org/banditismo-e-revolucao/


-- Proposta indecente (p. 295)

https://olavodecarvalho.org/proposta-indecente/


-- A fraude do populismo continental (p. 299)

Este artigo eu não consegui encontrar no site do professor Olavo.


-- O chuchu que virou pepino (p. 395)

https://olavodecarvalho.org/o-chuchu-que-virou-pepino/


-- Passado e presente do dr. Greenhalgh (p. 429)

https://olavodecarvalho.org/passado-e-presente-do-dr-greenhalgh/


-- Sem novidades, exceto as piores (p. 437)

https://olavodecarvalho.org/sem-novidades-exceto-as-piores/


-- Anistia? (p. 461)

https://olavodecarvalho.org/anistia/


-- Enquanto a Zé-Lite dorme (p. 479)

https://olavodecarvalho.org/enquanto-a-ze-lite-dorme/



Vol. III - A fórmula para enlouquecer o mundo


-- A apoteose da burrice nacional (p. 57)

https://olavodecarvalho.org/a-apoteose-da-burrice-nacional/


-- O destino dos homens de farda (p. 67)

https://olavodecarvalho.org/o-destino-dos-homens-de-farda/


-- O tempo dos assassinos (p. 71)

https://olavodecarvalho.org/o-tempo-dos-assassinos/


-- Diagnósticos da situação (p. 89)

https://olavodecarvalho.org/diagnostico-da-situacao/


-- Entre tiros e afagos (p. 419)

https://olavodecarvalho.org/entre-tiros-e-afagos/


-- Incomparáveis (p. 435)

https://olavodecarvalho.org/incomparaveis/



Vol. IV - A inversão revolucionária em ação


-- Monstruosa e abrangente estratégia (p. 11)

https://olavodecarvalho.org/monstruosa-e-abrangente-estrategia/


-- Relembrando o irrelembrável (p. 129)

https://olavodecarvalho.org/relembrando-o-irrelembravel/



Vol. V - O império mundial da burla


-- Inventando certezas: Brasil-Mentira V (p. 161)

https://olavodecarvalho.org/inventando-certezas-brasil-mentira-v/


-- Todo poder aos ladrões (p. 253)

https://olavodecarvalho.org/todo-o-poder-aos-ladroes-2/


-- Dois códigos morais (p. 297)

https://olavodecarvalho.org/dois-codigos-morais/



Vol. VI - O dever de insultar


-- Stallone está certo (p. 187)

https://olavodecarvalho.org/stallone-esta-certo/


-- A voz dos fatos (p. 249)

https://olavodecarvalho.org/a-voz-dos-fatos/



Vol. VII - Breve retrato do Brasil


-- Questão de honra (p. 93)

https://olavodecarvalho.org/questao-de-honra/


-- Frivolidade criminosa (p. 200)

https://olavodecarvalho.org/__trashed-4/


-- Uma lição tardia III (p. 263)

https://olavodecarvalho.org/uma-licao-tardia-iii-um-exemplo/


-- Mentindo com candura (p. 299)

https://olavodecarvalho.org/mentindo-com-candura/



Vol. VIII - Os histéricos no poder


-- Por que a direita sumiu (p. 53)

https://olavodecarvalho.org/por-que-a-direita-sumiu/


-- Virtudes nacionais (p. 81)

https://olavodecarvalho.org/1317-2/


-- Reação fraca (p. 85)

https://olavodecarvalho.org/reacao-fraca/


-- A falsa memória da direita (p. 177)

https://olavodecarvalho.org/a-falsa-memoria-da-direita/


-- Positivismo inocente (p. 181)

https://olavodecarvalho.org/positivismo-inconsciente/

Obs.: embora o título apareça como "Positivismo inocente", no livro, o mesmo não ocorre no site, onde o artigo aparece como "Positivismo inconsciente".


Vol. IX - O progresso da ignorância


(Nenhum)



Vol. X - A cólera dos imbecis


-- A luta de classes no Brasil (p. 31)

https://olavodecarvalho.org/a-luta-de-classes-no-brasil/


-- A KGB no Brasil (p. 59)

https://olavodecarvalho.org/a-kgb-no-brasil/


-- Falsificação integral (p. 91)

https://olavodecarvalho.org/falsificacao-integral/


-- Um discurso (p. 353)

https://olavodecarvalho.org/um-discurso/


-- Descrédito geral (p. 374)

https://olavodecarvalho.org/descredito-geral/

terça-feira, 20 de abril de 2021

Teoria e prática

Uma das dicotomias que mais me incomodam em algumas falas das pessoas hoje em dia é a que acham existir entre teoria e prática. Me parece que esta separação é puramente lógica, ela mesma não sendo real, "prática", por assim dizer. Todos os atos, a meu ver, envolvem os dois caminhos necessariamente. Claro que nada disso é novo. A civilização ocidental sempre foi capaz de notar que são inseparáveis a contemplação e a ação: ora et labora, dizia São Bento, o patriarca da civilização.

O filósofo e jurista Miguel Reale não considerava nem um pouco fácil realizar, no âmbito da sua obra, a separação entre teoria e prática. Quando vi o dr. Miguel tendo esta dificuldade, achei muito estranho ouvir de pessoas conselhos práticos de que não se deve ser alguém puramente teórico ou puramente prático, como se as pessoas teóricas não tivessem nenhum histórico de ações, e como se as práticas nunca tivessem feito projetos. Mais ainda, como as pessoas tinham a solução para um problema que nem para o dr. Miguel havia solucionado?

Neste momento, eu consegui perceber a diferença entre a retórica popular e a atitude filosófica em cima de um problema. Acho que a visão popular sobre o assunto é bastante otimista. Acha que tem a solução. O filósofo sabe que não é bem assim... Digamos que o filósofo seja um pessimista. É mais ou menos a separação que fazemos, nós conservadores, entre o ideário revolucionário, que nasce de mentes como Karl Marx e pretende solucionar os problemas do mundo em sua totalidade, e o pensamento sobre a realidade problemática o qual desenvolveram conservadores como Edmund Burke.

Acho que uma das personalidades que mais demonstram a falsa dicotomia que ora denuncio foi Alexis de Tocqueville. Ele era um grande escritor, um grande homem de letras, mas era, ao mesmo tempo, um gênio da política prática. Ele disse que conviveu com políticos que sempre se preocupavam com a produção dos acontecimentos, mas nunca pensavam em descrevê-los e, também, com homens de letras, que escreviam a história sem se envolverem com os assuntos.

Talvez isto viesse a servir de demonstração do exato oposto: que existem teóricos e práticos. Mas não. Se observarmos a pessoa que realiza a confissão percebemos que só é possível reconhecer teóricos e práticos por sermos as duas coisas no exato momento em que percebemos, porque reconhecemos em nós mesmos as duas posturas representadas naqueles que observamos. E aqueles que observamos são também mentes que serão capazes de fazer a separação entre homens práticos e teóricos justamente por reconhecerem na própria autobiografia os muitos atos teóricos ou práticos.

Acontece também o seguinte. Alguns homens se tornaram conhecidos pelos seus atos teóricos e outros pelos seus atos práticos. Neste sentido compreendo saudável resolver uma narrativa rotulando alguém teórico ou alguém prático. Podem existir outras possibilidades, as quais no momento não me ocorrem.

Observamos o modo como o filósofo e escritor Olavo de Carvalho descreve seu método para dominar a prosa e percebemos que estudar um romance como objeto sem antes imergir nas várias obras universais, imitando seus autores e dominando ao menos um pouco da técnica, você acaba invertendo o aprendizado, você não domina a obra. É como se você sequer tivesse chegado às portas da compreensão artística em torno da obra. Eis o que torna nossos cursos de letras praticamente infrutíferos, porque estudar um texto não é jamais compreendê-lo e assimilá-lo. Só se aprende a técnica da escrita, ademais, imitado o passo a passo do modo como vemos os outros escritores agirem. E mais ainda: só entendemos uma história se nos reconhecemos nos personagens e, portanto, imitamos os personagens imaginativamente. Hamlet jamais será compreendido se o virmos apenas como um texto a analisar, como vi fazerem os estudantes de letras na minha faculdade.

Mas não percamos o foco: simplesmente não vejo fácil essa dicotomia entre teoria e prática. A acho problemática no momento como a aplicam algumas pessoas. Para mim é inadequada qualquer tentativa que faça um homem prático de humilhar um homem teórico só por ser teórico e vice-versa, se é que estes tipos existem. Duvido muito que exista um homem prático que não faça esquemas e planos mentais antes de agir, ainda que de maneira mais ou menos inconsciente e automática. De semelhante modo, duvido que o homens teóricos não pratiquem diariamente uma rotina onde suas teorias não tenham aplicabilidade prática e, portanto, acabem tomando os atalhos da prática automática.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

A amizade do café

De repente comecei a sentir azia por causa do café. Coitado de mim sem a amizade deste companheiro que até poucos dias atrás alegrou minha existência.

O pior de tudo é que tenho a sensação de que o café também sente falta de mim todas as vezes que pego um biscoito. Acho que a amizade não mudará. Continuaremos os mesmos, eu e o café.

Em geral, as pessoas tratam os outros como tratei o café. "Te fez mal, corta." Infelizmente não somos inclusivos, perfeitos como Jesus. E nem queremos ser. Perdi a confiança em nós, pobres humanos. Devemos mesmo é amar e tolerar o máximo de pessoas que conseguirmos, mas sem esperar que nós mesmos conseguiremos. Sem nos cobrar tanto. A chance de fracasso é imensa.

Hoje a minha irmã me pediu para lembrar de que tenho companheiros. Talvez eu tenha feito isso com facilidade nos últimos doze anos, que são os anos onde vivi no seio da igreja cristã.

Contudo, mesmo achando a amizade um dos mais importantes dos amores, creio que acabei ficando refém da busca pela reciprocidade. E por um tempo vou esperando pra ver se alguém pensa como a minha irmã quer que eu pense. Vou dar lugar para ver se os companheiros virão para este sertão que eu tanto larguei na busca por eles.

Enquanto espero, enquanto aguardo a excelente presença dos amigos, vou lutando contra o café, escrevendo com minha pouca técnica alguns parágrafos, amando a Deus do jeito que posso, frequentando as páginas dos meus amigáveis volumes na estante. Sem tristeza,  sem remorso, só vivendo esta vida que para um dos momentos de poesia de Manuel Bandeira, não vale a pena e a dor de ser vivida.

Trago, entretanto, comigo a esperança de que esta vida pouco dada aos encontros e às oportunidades de estar com os companheiros, possa revelar um pouco de mim para as pessoas que conheci e amei, numa página de crônica, num grifo ou anotação em margem de livro, no meu singelo amor (se sincero Ele sabe) a Deus ou numa xícara de leite, chá ou qualquer outra bebida quente que não seja meu velho e preto café.

Ag0st0 de 2018

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Arte, Memória e Aprendizagem

A arte me parece sempre um resgate de coisas prestes a serem esquecidas. Pintamos cidades quando moramos no campo, desenhamos paisagens quando moramos na cidade; escrevemos poemas quando imersos no falatório comum; compomos música quando há apenas ruídos ao nosso redor.

Nossa alma trabalha como se a Beleza fosse um barco quase a naufragar, como se o dia de amanhã fosse o dia da feiura total, do caos, quando a gravidade do limbo iria então aspirar todo o Ser no abismo do nada.

A saudade e a nostalgia possuem algo de artístico em si mesmas, pois simbolizam provisoriamente as impressões que sentimos em determinados intervalos de tempo.

Me preocupa que a educação do meu tempo seja uma educação que desvaloriza a memória, negando aos estudantes o aprendizado da memória, ou melhor, a educação da memória, ensinando que é "melhor aprender" do que decorar, como se o mero ato de decorar fosse um crime intelectual.

Acontece que não existe antagonismo entre aprender e decorar. Decorar a oração do Pai Nosso é não entendê-la, não aprendê-la? De modo nenhum. É o contrário, quem decora tem chances de compreender muito mais, pois têm em si mesmo o material completo do ato que executará. Memorizar ou decorar uma partitura é bom para um músico, e ainda assim ele estará entendendo a canção da mesma forma. E quem decora uma fórmula matemática vai conseguir lidar muito bem com a aritmética, já que a matemática é feita de resultados perfeitos.

O falso antagonismo entre aprendizagem e memorização pode trazer uma forte corrosão à alma artística de um povo, pois sem educação da memória, qual será a graça de comparar nossas memórias com as impressões artísticas de um Manuel Bandeira, de um Heitor Villa-Lobos ou de um Cícero Dias?

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Dante ultrapassado?

 Conversando sobre se um clássico como a Divina Comécia pode ajudar alguém a aprender italiano ouço que isso pode ser dificultado pelo fato de sua linguagem não ser atual. Sempre os atualismos cronocentristas...

A degradação da língua italiana na Itália não deve ser nem um pouco parecida com a da língua portuguesa no Brasil, e tenho a impressão de que se quer rebaixar o aprendizado das línguas desde o contato com a literatura dos países onde são faladas, o que não pode ser defensável de maneira nenhuma. Aprender português com amigos e familiares não é o mesmo que aprender lendo Machado de Assis e Manuel Bandeira, a não ser que sejam aqueles grandes oradores da língua ou cientistas da língua.

Lendo e absorvendo a grande literatura poderemos pensar a língua e nossos discursos com mais inteligência e fluência. Poderemos nos expressar numa escala que vá do simples ao complexo, do belo ao grotesco, do conciso ao profundo, como é próprio de grandes prosadores.

Depois, supor que ignorar a literatura italiana para priorizar o aprendizado em cursinhos básicos de expressões diárias, que era onde queria chegar meu interlocutor, é um grande empurrão para a preguiça, que nos garantirá um ingresso numa padaria, mas não o nosso ingresso numa universidade ou num emprego que exija alguma expressão.

A menos que o objetivo seja comprar, pedir, ou trabalhar com pães, o melhor é tornar o desafio do aprendizado das línguas um pouco menos prosaico e nada provinciano ou medíocre, segundo penso.

sábado, 10 de abril de 2021

Sobre a mãe de Jesus

Maria é o ser humano mais importante que já habitou este planeta, depois de Jesus. Neste sentido, não vejo porque devemos negar a ela o nome de rainha dos homens, senhora sobre os homens. Eu negaria tal título apenas se "senhora" quisesse significar que eu devo obedecer a Maria, ou achar que ela pode ter um papel na minha salvação em Cristo, meu único Senhor neste sentido. Mas para mim, "senhora" é apenas um sinal de respeito, o que Maria merece demais.

Não importa que a maioria dos evangélicos que criticam o tratamento católico a Maria acabe amando muito mais a Cristo-Deus e pouco falando sobre o Cristo-homem. Há certo nojinho da carne por parte de alguns. Há pessoas que acham um escândalo confessar que Cristo subiu ao céu em carne, mesmo que você mencione os ferimentos que Tomé tocou. Agora, se o anjo Gabriel disse que Maria era a abençoada, a bendita entre as mulheres, significa que Gabriel, que representa o céu, falava de todas as mulheres ou ao menos contemplava as mulheres falando das outras mulheres, e notava que o nome de Maria era um nome impecável para o plano divino.

Antes eu imaginava que o fato de Maria, no seu cântico, confessar a própria baixeza, era uma forma de negar qualquer atenção a ela em todos os âmbitos, mas a humildade deve agigantar as pessoas. Quando Jesus diz que nenhum homem é maior que João, o Batista, ele também diz que no céu, aquele que é o menor, é maior que João, acredito que falando de si mesmo. Se Jesus é rei Maria se torna menos que uma rainha automaticamente, a não ser no sentido de todo o cristão é feito rei e sacerdote.

Eu tinha dificuldade de chamar Maria de mãe, mas percebi que não fazia sentido não sentir que Cristo era nosso irmão e amigo. Eu já chamei a mãe de alguns amigos de mãe. Por que só com Maria seria inadequado? Claro que chamar Maria de mãe diante de alguns protestantes pode dar a impressão imediata de que aceitamos todo o dogma católico. Mas se pensarmos bem, no âmbito pessoal, chamar Maria de mãe nem fede e nem cheira em termos de comportamento cristão. Agora eu acho que Maria se sente triste porque pessoas acham ruim que outras a chamem de mãe. Maria chorou o desesperado choro de uma mãe sobre a fronte morta do Emanuel, Deus conosco que se fez carne para nos reconciliar consigo mesmo. Ela não aceitaria a briga cristã dos últimos séculos em torno do seu nome.

Dizer que a mera admiração a Maria como mãe, senhora da humanidade, amiga, irmã ou mesmo rainha, é idolatria, é de uma forçação de barra gritante, pois ninguém que ama Maria a tal ponto tentará torná-la divina apenas admirando, ainda que a chame de santíssima virgem. Se ser santo é ser "separado" do mal para realizar a vontade de Deus, eu não teria problemas em dizer que a mulher escolhida e separada pela mensagem divina de Gabriel, pode ser chamada de santíssima, pois ela foi santa e bendita entre todas as mulheres. É um grau de santidade imenso se pensarmos bem.

Me soa estranho pedir a nossa senhora que "cuide de mim". Jesus disse que orássemos ao Pai em Seu santo nome. Jesus é o canal pelo qual nossa mensagem chegará a Deus. Maria não pode fazer este papel. Mas também é errado dizer que Maria nada pode fazer agora, pois se ela estiver acordada agora, com Deus, ela pode estar ao menos pedindo a Deus que venha logo buscar a Sua igreja (Ap. 6), o que é de grande valia e importância, porque eu bem que estou querendo ir logo morar com os santos. Estou ansioso para que Deus me aceite. Estou ansioso para conhecer Maria e os outros santos.