Conversando sobre se um clássico como a Divina Comécia pode ajudar alguém a aprender italiano ouço que isso pode ser dificultado pelo fato de sua linguagem não ser atual. Sempre os atualismos cronocentristas...
A degradação da língua italiana na Itália não deve ser nem um pouco parecida com a da língua portuguesa no Brasil, e tenho a impressão de que se quer rebaixar o aprendizado das línguas desde o contato com a literatura dos países onde são faladas, o que não pode ser defensável de maneira nenhuma. Aprender português com amigos e familiares não é o mesmo que aprender lendo Machado de Assis e Manuel Bandeira, a não ser que sejam aqueles grandes oradores da língua ou cientistas da língua.
Lendo e absorvendo a grande literatura poderemos pensar a língua e nossos discursos com mais inteligência e fluência. Poderemos nos expressar numa escala que vá do simples ao complexo, do belo ao grotesco, do conciso ao profundo, como é próprio de grandes prosadores.
Depois, supor que ignorar a literatura italiana para priorizar o aprendizado em cursinhos básicos de expressões diárias, que era onde queria chegar meu interlocutor, é um grande empurrão para a preguiça, que nos garantirá um ingresso numa padaria, mas não o nosso ingresso numa universidade ou num emprego que exija alguma expressão.
A menos que o objetivo seja comprar, pedir, ou trabalhar com pães, o melhor é tornar o desafio do aprendizado das línguas um pouco menos prosaico e nada provinciano ou medíocre, segundo penso.
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